A adolescente suspeita de matar o pai a facadas em Marília (SP) passou por audiência nesta sexta-feira (29), no Fórum. Durante a sessão, a Justiça aceitou o pedido de exame de sanidade mental na jovem.
Segundo o advogado de defesa da adolescente, Fábio Ricardo Rodrigues dos Santos, enquanto o exame não é realizado, o processo está suspenso e a jovem aguarda em liberdade. Ela tinha 17 anos no dia do crime e o caso é acompanhado pela promotoria da Vara da Infância e Juventude.
“Foram ouvidas 12 testemunhas dos fatos e, agora, a gente pela defesa, entrou com um incidente de insanidade mental, que visa comprovar que, no momento do desenrolar dos fatos, ela não tinha consciência da ilicitude, e o processo então está suspenso para a realização desse exame”, explica o advogado.
O crime aconteceu no dia 23 de setembro deste ano e, desde então, a adolescente estava internada na ala psiquiátrica do Hospital das Clínicas. No final de outubro, a jovem recebeu alta e foi ouvida pelo Ministério Público.
O dentista Aloisio Ahnert Tassara foi encontrado morto na sala de casa com ferimentos de faca. A filha dele foi localizada logo depois em cima do telhado de uma casa vizinha com uma faca na mão. Por estar em surto, a jovem foi levada para o hospital.
Em entrevista ao G1 no começo de outubro, o advogado de defesa da adolescente disse que a jovem estava passando por tratamento psiquiátrico e que, provavelmente, ela sofre de esquizofrenia paranoide, apesar de não ter o diagnóstico fechado.
Investigação
Segundo as investigações, a jovem é apontada como a principal suspeita do crime. Ela foi ouvida no dia 1º de outubro dentro do Hospital das Clínicas pela equipe da Delegacia de Investigações Gerais e teria detalhado o que aconteceu no dia dos fatos.
De acordo com o advogado de defesa da adolescente, a polícia já tinha tentado ouvi-la anteriormente, mas ela não conseguiu prestar depoimento pois estava em crise. Naquela vez, o médicos atestaram, inclusive, que ela não tinha condições de depor.
Neste depoimento, a jovem respondeu às perguntas acompanhada de médicos e o questionamento teve que ser interrompido diversas vezes por conta da condição que ela estava, de acordo com o advogado. “Ela também é vítima, toda a família é vítima de uma tragédia”, admite ele.
O delegado responsável pelo caso, Valdir Tramontini, enviou um relatório à Vara da Infância e Juventude e ao promotor, além de sugerir o exame de sanidade mental na adolescente.
A jovem recebeu alta e foi ouvida pelo Ministério Público no dia 25 de outubro. No dia 7 de novembro, o promotor fez uma representação contra a adolescente. Desde então, duas audiências foram marcadas, uma no início do mês, de apresentação, e esta de sexta-feira (29).
Agora, a jovem aguarda a realização do exame de sanidade mental, que ainda não tem data marcada. A partir disso, o juiz vai decidir sobre a continuidade do processo.
Exame de corpo de delito
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília (SP) também afirmou que a mãe da adolescente teve que passar por um exame de corpo de delito após o crime, procedimento que serve para comprovar eventuais lesões no corpo de uma pessoa.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a polícia apura um segundo “fato grave” que teria acontecido depois da morte do dentista, mas não revela o ocorrido pois o caso segue em segredo de Justiça. De acordo com o advogado de defesa, a mãe também teria sido agredida pela filha no momento do surto, com mordidas e arranhões.
Dinheiro nas roupas da vítima
No dia do crime, a perícia encontrou R$ 2.154,85 no bolso e R$ 16.550 na cueca de Aloísio Ahnert Tassara.
No entanto, o delegado informou que o dinheiro encontrado não tem qualquer relação com o crime, pois segundo familiares e funcionários da vítima, o dentista tinha o costume de guardar o dinheiro do trabalho na cintura, em uma pochete ou saquinhos. “Não era um fato do dia, há mais de ano ele fazia isso, era corriqueiro”, completa o delegado.
Policiais militares ajudam gestante em trabalho de parto a dar à luz em casa
Idoso morre atropelado por caminhão após carro apresentar problema
Motorista e bois morrem carbonizados após colisão entre caminhões em Igaraçu do Tietê
Confusão entre policiais e moradores termina com 3 presos e cachorro morto a tiros