Mesmo com quatro decisões judiciais, bebê aguarda cirurgia no coração

Menina de 7 dias foi diagnosticada com cardiopatia congênita.
Departamento Regional informou que hospitais especializados não têm vaga.

Bebê está internada na UTI da Maternidade Santa Isabel (Foto: Silmara Gonçalves/ Arquivo pessoal )
Bebê está internada na UTI da Maternidade Santa Isabel (Foto: Silmara Gonçalves/ Arquivo pessoal )

Mesmo com decisões judiciais que determinam a transferência imediata para um hospital especializado, um bebê de apenas sete dias, diagnosticado com um grave problema no coração ainda durante a gestação, aguarda uma vaga para realizar um procedimento que pode salvar sua vida.

A pequena Mabelin está internada na Maternidade Santa Isabel de Bauru (SP)  desde que nasceu. E antes mesmo do nascimento, a Justiça já havia determinado a transferência do bebê para um hospital especializado, mas nem as ordens judiciais estão garantindo a sobrevivência da menina.

O Departamento Regional de Saúde informou que está buscando vaga em um hospital habilitado pra realizar a cirurgia. Na rede pública, só dois poderiam realizar o procedimento: a Beneficência Portuguesa e o Incor, ambos na capital. Segundo o órgão, o Incor conseguiu uma vaga para o bebê, que deve ser transferido nesta sexta-feira (26).

Como a Maternidade Santa Isabel, em Bauru, não tem especialista para realizar a cirurgia, quando Silmara Gonçalves Pereira, mãe da bebê, ficou sabendo do diagnóstico logo procurou a Justiça.

“Não era nem para ela ter nascido em Bauru. Me encaminharam para Botucatu e na última hora se recusaram a pegar meu caso porque o médico disse que a cirurgia de lá limitava-se a cirurgia mais simples. Me mandaram de volta para Bauru e eu estou até agora esperando. A minha filha está internada aqui, está morrendo aos poucos e ninguém faz nada para me ajudar”, desabafa.

Silmara já conseguiu quatro decisões judiciais que determinam a transferência imediata da criança para um hospital especializado. A primeira decisão foi no dia 16 agosto, dois dias antes da Mabelin nascer.  Um dia depois do parto, a juíza deu uma nova determinação: a internação urgente do bebê, nem que fosse na rede particular, com todos os custos pagos pelo estado.

Mas nenhuma das decisões foram cumpridas, deixando a espera da Mabelin sem hora pra acabar. “É desumano isso. Que mundo é esso que a gente vive onde o dinheiro vale mais do que a vida?”, questiona.

Em relação à decisão judicial que determinou a internação em hospital particular, o DRS informou que também tentou uma vaga no hospital Sírio Libanês, no entanto, também não teria vaga pra receber Mabelin. O Estado está recorrendo dessa decisão da justiça.

#MAIS LIDAS DA SEMANA