Região tem 5 casos de macacos mortos, um é em Paraguaçu

A Vigilância Epidemiológica divulgou nesta quarta-feira (17) que um macaco foi encontrado morto no dia 11 de janeiro em Cândido Mota (SP). Segundo a prefeitura, um morador entrou em contato e informou onde o animal estava, em um matagal na divisa da cidade de Cândido Mota com Palmital.

Uma equipe de Cândido Mota foi até o local e recolheu o animal que, ainda de acordo com a Vigilância, estava morto há dias. O primata foi encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para análise. No total, cinco macacos foram encontrados mortos na região este mês. Um em Cândido Mota, dois em Marília, o primeiro no dia 6, na zona leste da cidade e o segundo nesta terça-feira, dia 16, as margens de uma estrada rural, um caso em Tarumã, na zona rural e um em Paraguaçu Paulista, na zona rural, bairro São Matheus.

De acordo com a diretora de Saúde do município, Cristiane Bonfim, a preocupação do departamento em relação a febre amarela e sobre os casos de mortes de macacos na região é grande. “A Vigilância Epidemiológica já foi até o local e colheu material do macaco morto. Esse material já foi encaminhado para o Instituto Adolfo Lutz, só que o resultado sai em 30 a 40 dias. Também já foram tomadas as medidas do protocolo que são a eliminação de criadouros na área. A equipe já foi até o local e orientou todos os moradores daquela área. É muito importante enfatizar que no ano de 2017, Paraguaçu fez uma Força Tarefa, em janeiro e fevereiro, contra a febre amarela. A nossa equipe foi em toda zona rural. A cobertura da febre amarela no nosso município é muito grande. Todas as Unidades de Saúde têm a vacina da febre amarela. Não tem porquê a população se desesperar”, ressalta.

Ainda segundo a diretora, a vacina contra a febre amarela é tomada uma única vez durante a vida. “É muito importante olhar a carteira de vacinação pra ver se tomou. Quem tomou, não vai tomar segunda dose. Diferente do que está acontecendo em algumas regiões do estado de São Paulo que a vacina está sendo fracionada para atender o maior número de pessoas, aqui não. Aqui temos a dose única, mas só para quem não tomou. Quem tomou já está imunizado. Outra coisa importante que temos que lembrar, é que temos que eliminar criadouros. A febre amarela é outra doença causada pelo Aedes Aegypti. O único jeito de eliminar essas doenças, zica, chikungunya e agora febre amarela, é eliminando criadouros, é limpando os quintais casa a casa. O macaco é unicamente o hospedeiro, não temos que maltratar os macacos, pelo contrário, temos que observar o animal porque ele é o primeiro a dar sintomas e sinais se foi atingido pelo vírus da febre amarela. Todos esses macacos mortos na região, nenhum foi ainda detectado com o vírus da febre amarela. Todos já foram para o Adolfo Lutz, mas a preocupação é grande. Entretanto, a nossa cobertura, graças a Deus, é muito grande, devido a Força Tarefa realizada o ano passado. Digo mais uma vez, que não há porque se desesperar, vamos aguardar os resultados dos exames”, frisa a Cristiane.

A preocupação com a febre amarela é crescente. Nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde passou a considerar todo estado de São paulo como área de risco da febre amarela. A justificativa é que houve um aumento na atividade do vírus na região.

Sintomas

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Prevenção

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do “fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

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