A notícia da renúncia do papa Bento XVI, num primeiro momento soa como fraqueza, mas, num olhar evangélico e profundo este ato simboliza muita coragem e humildade.
Somente pessoas de personalidades e espírito corajosos conseguem quebrar os paradigmas e mudar a história. Jesus rompeu paradigmas: Curou no sábado, descumprindo um preceito judaico que proibia qualquer atividade neste dia; Jesus sentou-se à mesa junto com os pescadores; Não condenou a adultera, o que seria comum para aquela época; Tocou e curou os leprosos, algo indigno para o período. Jesus foi um “quebrador” dos legados humanos em favor de um bem maior, que foi a instalação do Reino de Deus e consequentemente o curso da história humana.
Rememoro a história de Hans Cristhian Andersen “A Roupa Nova do Imperador”, que relata que havia um Imperador apaixonado por roupas novas. Dois vigaristas chegaram ao Império, fingindo serem tecelões e dizendo que produziam as mais lidas roupas e além de belíssima, tais roupas, poderiam desvendar se as pessoas tinham condições de exercer suas funções, distinguindo assim os tolos dos inteligentes. Quem consegui ver o tecido era competente, mas, quem não via era incompetente, segundo os charlatães. O Imperador pagou os falsários antecipado com o mais puro ouro. Os vigaristas fingia tear. O Imperador mandou então o primeiro ministro verificar o serviço, o representante do imperador mesmo não vendo nada fingia ver a mais esplendorosa peça, com medo que descobrissem que não era digno de exercer o cargo. Assim sendo cada vez mais os vigaristas pediam mais dinheiro.
O imperador enviou outro fiel cortesão. Mesmo não vendo nada o palaciano também afirmou que estava lindo com medo de descobrirem que ele não era digno de exercer a função. O Imperador também foi observar o tear. E qual não foi a sua surpresa ele mesmo não vendo nada afirmou que estava fabuloso, com medo de descobrirem que ele não era digno de exercer o cargo do Imperador. Todos não viam nada, mas, devido o medo de perder suas funções, afirmavam que viam uma bela confecção. E os que acompanhavam pediram para que eles confeccionassem uma roupa daquele “tecido” para a procissão imperial. E o mandatário ainda condecorou os vigaristas com “Cavaleiros Tecelões”. Os charlatães continuaram fingindo que estava confeccionando. E assim foi feito, no dia da investidura um dos palacianos ergueu o braço fingindo vestir no imperador a pseudo-vestimenta, e o chefe olhava no espelho sua linda indumentária imaginária. O Imperador ainda comentou que a roupa era levíssima. Os camaristas fingia erguer a roupa do imperador. Todos comentavam que a roupa era linda e maravilhosa, mesmo sem ver nada, como medo de descobrissem que eram incompetentes.
O papa Bento XVI teve a coragem de poucos: a de admitir que é limitado para exercer determinadas  funções.
Se mais pessoas tivessem a coragem e a humildade do cardeal Joseph Ratzinger a Igreja e o mundo seriam substancialmente melhor.
Professor de Filosofia. Morador da Prudenciana.
Parabéns Oscar Bressane
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