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De tragédia em tragédia…

Por Carlos R. Ticiano.

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Rompimento da barragem em Brumadinho (MG)

Impressionante como no Brasil é preciso esperar acontecer uma tragédia, para que as autoridades responsáveis se mobilizem no sentido de correr contra o tempo, na tentativa de amenizar o estrago e dar uma palavra de conforto as pessoas diretamente atingidas pelo infortúnio.

Diante de famílias desoladas pela perda de seus entes queridos e bens materiais, estradas, vilas e bairros apagados do mapa, meio ambiente com matas e rios contaminados, surgem dos escombros da mediocridade, um elemento com cara de assustado, tentando justificar aquilo que é injustificável.

Juntando os cacos de palavras sem nexo, dizem os membros do conselho, com a maior cara de pau do mundo que vão abrir uma sindicância interna com a finalidade de apurarem de forma urgente e rigorosa, qual a causa da tragédia e assim, punirem os responsáveis.

O governo por sua vez, através de suas autoridades correm ao encontro dos microfones para anunciarem que a empresa, no caso a Vale, vai ser multada por negligência, que terá valores bloqueados e bens confiscados para serem utilizados no ressarcimento dos prejuízos, não só das pessoas atingidas, como na recuperação do meio ambiente afetado.

O detalhe, é que o governo não pune nenhum órgão vinculado ao próprio governo. Esta conversa de punição é balela. Até hoje as famílias das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana (MG), incluindo o próprio meio ambiente, estão esperando uma decisão final da justiça. Mas a Vale, continua recorrendo e fugindo de suas responsabilidades.

Desta vez com o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), não vai ser diferente. Os cachorros vão latir, a carruagem vai passar e nada vai acontecer. Vivemos em um país sem noção e precário na tarefa de prevenção contra acidentes de todos os tipos…

– Barragens rompendo e destruindo tudo que encontram pelo caminho…

– Acidentes acontecendo todo dia em função da má conservação das estradas…

– Segurança pública precária e obsoleta…

– Pontes caindo por falhas no projeto e na elaboração estrutural…

– Meios de transportes sucateados e ineficientes…

– Escolas abandonadas e desaparelhadas prejudicando o ensino…

– Atendimento hospitalar vergonhoso e degradante…

– Elevados com fissuras e deslocamento, cedendo por falta de manutenção…

Quando as autoridades brasileiras, vão tomar vergonha na cara e cumprir com suas obrigações e fazerem aquilo para a qual foram nomeadas pelo alto escalão do governo? Enquanto isso, as tragédias vão acontecendo e se espalhando pelos noticiários internacionais, como um rastilho de pólvora. Jornalistas de plantão correm contra o tempo, para em primeira mão, anunciarem aos telespectadores a tragédia anunciada.

Estamos correndo o risco de sermos taxados de um país retrógrado. Reprovado em todas as matérias escolares com notas baixas, ficamos novamente de segunda época. Vamos ter que voltar para a escola, pegar os livros e os cadernos e estudar um pouco mais. Quem sabe com um bom professor da “Finlândia” conseguimos aprender a lição, parar de tirar nota zero e finalmente sermos aprovados.

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Tempo quaresmal…

Por Carlos R. Ticiano.

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Estamos vivendo o tempo quaresmal, que começou na quarta-feira de cinzas e vai até a quinta-feira santa. A cor predominante nestes quarenta dias, segundo a igreja católica é a cor roxa. Este é um tempo propício ao jejum, conversão, oração, caridade, penitência, perdão, partilha, reconciliação e esmola.

Vovó Luzia, diante de sua experiência de vida, fazia questão de seguir a risca todos os preceitos religiosos que a época da quaresma prescrevia. Segundo ela, neste período Jesus, jejuou por quarenta dias e noites no deserto da Judéia. E que durante este tempo, o anjo do mau (diabo) apareceu para tentá-lo várias vezes.

Recordo-me que nesta época, ela ia toda quarta e sexta-feira à noite na igreja para participar da via sacra. Com seu véu preto e seu livrinho de orações, ela perguntava para os netos se queriam acompanhá-la. Eu e minha prima, não pensávamos duas vezes e com segundas intenções, respondíamos: Queremos sim!…

Na igreja, durante a cerimônia religiosa, até que tentávamos nós comportar seguindo a pequena procissão de que ia da primeira até a décima quarta estação. Mas era inevitável, que uma ou outra brincadeira acontecesse. Como apagar a vela da pessoa do lado, dizendo que foi o vento. Atenta, vovó olhava séria e pedia silêncio.

Terminada a cerimônia, íamos para a pracinha ao lado da igreja, para passearmos e saborearmos, das deliciosas pipocas e sorvetes que a vovó comprava. Que saudades deste tempo! As pessoas adultas consideram o tempo quaresmal, como um momento propício para reflexão, ponderação, prudência, recolhimento, meditação, sensatez e circunspeção espiritual. Para mim e minha prima, apenas um momento de recreação.

As quartas e sextas-feiras, era evitado todo tipo de carne na alimentação. Na sexta-feira santa, era servido no café da manhã, apenas um cafezinho com uma fatia de pão sem manteiga, pois o leite também não podia. Era jejum absoluto até á hora do almoço, onde o prato principal seria peixe. Como éramos crianças, sempre dávamos um jeito de burlar as regras dos nossos pais, que acabavam fazendo vista grossa, mas com aquele olhar de reprovação.

O tempo passou, já não temos mais a vovó com sua sabedoria e paciência. Não sei se ainda fazem via sacra nas igrejas e nem se os netos acompanham as vovós. Hoje casados, cada um segue sua própria crença, da forma que acha mais conveniente. Quanto aos filhos, nem sempre tem a avó por perto, como antigamente. Sem falar que atualmente, a distração das crianças é o telefone celular, o tablet, o vídeogame e outros aparatos digitais.

Tantos ensinamentos que foram passados de geração em geração e que agora não se repassa mais para os filhos, talvez por achar desnecessário e sem nenhum valor didático. O que está acontecendo com os seres humanos?

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Páscoa, aproveite com educação financeira!

Por Reinaldo Domingos.

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Páscoa, aproveite com educação financeira!

O feriado de Páscoa já está chegando e a expectativa é muito positiva para o varejo, que já projeta alta nas vendas. Para a população em geral é uma data para presentear as crianças, familiares e amigos. Não vejo problema nenhum em comemorar a data e não quero e nem vou ser um estraga festa, pois, acredito ser importante essas comemorações, contudo, é primordial que se tenha educação financeira nesse momento.

Antes de sair gastando em ovos de chocolate e brinquedos, é importante saber se poderá arcar com mais este gasto. Aliás, nos últimos anos o preço do chocolate vem subindo muito acima da inflação o que traz uma grande preocupação. Por isso eu gostaria de perguntar para os leitores, você já comprou os ovos de Páscoa das crianças, amigos e parentes?

Caso sim, espero que tenha feito uma boa compra e que não tenha se endividado, é muito comum famílias investirem mais de mil reais em ovos de páscoa e utilizarem o limite do cheque especial ou parcelar no cartão de credito, é preciso ter muita cautela e respeitar o dinheiro que se tem.

Caso ainda não tenha comprado, segue algumas orientações:

  1. Procure saber quantas pessoas pretende presentear, faça uma lista e defina o tamanho dos ovos e a marca. Busque colocar na lista apenas quem tem real significado para você, evitando compras desnecessárias;
  2. Defina quanto de dinheiro tem destinado para esta compra e se este dinheiro não vai faltar nos meses seguintes;
  3. Caso não tenha dinheiro e queira parcelar, pense antes se vale a pena se endividar por causa de uma data comemorativa, se sim busque que os valores caibam no orçamento mensal e saiba que parcelas devem ser considerados nas contas dos próximos meses;
  4. Não se endivide no cheque especial e cartão de credito, pois, se não conseguir pagar, os juros serão extorsivos, ocasionado um efeito ‘bola de neve’ de endividamento;
  5. Pesquise antes de comprar, comece com internet, panfletos e publicidades, depois procure em pelo menos três lugares, também procure saber sobre vendas de ovos caseiros;
  6. A criança precisa estar consciente que não é o tamanho do ovo que é o importante e sim o que ele representa, lembre-se, o importante é o amor que tem pela criança. Vejo muitas crianças que tratam essa data como ostentação, querendo falar que ganhou mais que o amigo, isso é correto?
  7. Por mais que seja pressionado à comprar ovos com brinquedos, que são mais caros, se não tiver condições financeiras é importante conversar com as crianças que o presente é o próprio ovo de chocolate, sendo esses brinquedos reservados para outras datas;
  8. Converse com os parentes, avós, tios, madrinhas, irmãos; é importante que evitem o excesso de ovos, além de fazer mal, contribuirá para o desperdício, neste caso o melhor é comprar ovos simbólicos, tudo que é de mais faz mal;
  9. Viajar no feriado prolongado de Páscoasomente se tiver o dinheiro, caso contrário, ficar em casa e curtir a família é uma ótima opção, evitará transito e gastos que poderá levar ao desequilíbrio financeiro;
  10. Pensar em uma ceia especial de Páscoa não significa em gastar demais, é possível um almoço especial, saboroso e barato. Um exemplo é se o bacalhau está caro é só trocar por um peixe mais barato.

O Autor

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor do livro Mesada não é só dinheiro (Editora DSOP), além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.

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O túnel do tempo…

Por Carlos R. Ticiano.

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O túnel do tempo...

Retornando no tempo, vamos recordar e reviver com saudades, aqueles tempos em que vivíamos com tranqüilidade o nosso dia a dia.

Época, em que o leiteiro deixava o litro de leite, que trazia em sua embalagem o desenho da vaquinha, em uma caixinha de madeira na porta da casa. E o padeiro, deixava o pão no mesmo local. Ninguém mexia e nem tão pouco alguém se atrevia a roubar. Hoje, somos roubados na rua, no portão de casa e até dentro da própria casa.

Época, em que brincávamos na calçada, subindo e descendo com o carrinho de rolimã. Empinávamos pipa, nos terrenos vazios do bairro. Jogávamos futebol no campinho improvisado, disputando quem sairia vencedor da pelada. Hoje, brincar na calçada é um perigo em todos os sentidos, considerando os buracos, as saliências, as pedras soltas e as lixeiras de lixo espalhadas ao longo das calçadas.

Época, em que ficávamos responsáveis pela lata de óleo vazia (18 litros) que servia para colocar o lixo caseiro e ser recolhida pelo lixeiro. Com um caminhão de carroceria, um lixeiro ia recolhendo as latas e atirando-as para o outro, que ficava dentro do caminhão. Despejado o lixo, era um corre-corre para resgatar a lata, que era deixada até três casas abaixo da sua. Hoje, com o lixo embalado em sacos plásticos, os cachorros fazem a festa deixando a calçada imunda, enquanto o lixeiro não passa.

Época, em que éramos escalados para cercar o padeiro, que passava no período da tarde, para comprarmos pão doce para o lanche da tarde. E do bucheiro, para comprarmos fígado de boi para ser feito no jantar. Para identificá-los, era preciso ficar atenta a sua buzina, que de longe era possível escutá-la. Hoje, não temos mais leiteiro, padeiro e nem tão pouco bucheiros circulando pelas ruas do bairro. Os supermercados se encarregaram de exterminá-los. Afinal eles vendem de tudo.

Época, em que freqüentávamos a escola de visual impecável, com a tarefa feita e a lição na ponta da língua. Os professores eram respeitados, pois sabíamos que eles representavam nossos pais no tocante à educação e no aprendizado. Hoje, com a calça rasgada no joelho, de boné e com o celular na mão, os alunos freqüentam a escola mais para namorar do que para estudar. O resultado são notas baixas, aluno batendo em professores e genéricos de terroristas, planejando e executando atentado às escolas.

Época, em que as famílias se reuniam na sala para assistirem televisão e juntas acompanharem as novelas, os noticiários, os programas humorísticos e o futebol.  A televisão era um momento de diversão coletiva. Hoje, as novelas são carregadas de erotismo, maus exemplos e perversidades. Os noticiários só sabem falar dos políticos e noticiarem tragédias. Os programas humorísticos, em função do politicamente correto, perderam a graça. O campo de futebol virou um palco de gladiadores.

Época, em que os pais levavam seus filhos todos os domingos na igreja, para participarem da missa das crianças. Era tradição sermos batizados, crismados e preparados para fazermos a primeira comunhão. Hoje, acredito que a apenas o batizado sobreviveu aos preceitos religiosos. Atualmente vai-se à igreja apenas para participar de cerimônias de casamento e missa de sétimo dia.

Época, da paquera e do namoro na praça da matriz, do pipoqueiro nas esquinas e do passeio de mãos dadas com a namorada, em torno da fonte luminosa com seus jatos d’água colorido. Hoje, não temos mais o pipoqueiro, a fonte luminosa foi desativada e a praça acabou abandonada e destruía pelos vândalos.

Vivemos em meio a uma guerra não declarada oficialmente. O mundo mudou, as pessoas mudaram, as tradições mudaram. Éramos felizes e não sabíamos!…

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