Tempo quaresmal…

Estamos vivendo o tempo quaresmal, que começou na quarta-feira de cinzas e vai até a quinta-feira santa. A cor predominante nestes quarenta dias, segundo a igreja católica é a cor roxa. Este é um tempo propício ao jejum, conversão, oração, caridade, penitência, perdão, partilha, reconciliação e esmola.

Vovó Luzia, diante de sua experiência de vida, fazia questão de seguir a risca todos os preceitos religiosos que a época da quaresma prescrevia. Segundo ela, neste período Jesus, jejuou por quarenta dias e noites no deserto da Judéia. E que durante este tempo, o anjo do mau (diabo) apareceu para tentá-lo várias vezes.

Recordo-me que nesta época, ela ia toda quarta e sexta-feira à noite na igreja para participar da via sacra. Com seu véu preto e seu livrinho de orações, ela perguntava para os netos se queriam acompanhá-la. Eu e minha prima, não pensávamos duas vezes e com segundas intenções, respondíamos: Queremos sim!…

Na igreja, durante a cerimônia religiosa, até que tentávamos nós comportar seguindo a pequena procissão de que ia da primeira até a décima quarta estação. Mas era inevitável, que uma ou outra brincadeira acontecesse. Como apagar a vela da pessoa do lado, dizendo que foi o vento. Atenta, vovó olhava séria e pedia silêncio.

Terminada a cerimônia, íamos para a pracinha ao lado da igreja, para passearmos e saborearmos, das deliciosas pipocas e sorvetes que a vovó comprava. Que saudades deste tempo! As pessoas adultas consideram o tempo quaresmal, como um momento propício para reflexão, ponderação, prudência, recolhimento, meditação, sensatez e circunspeção espiritual. Para mim e minha prima, apenas um momento de recreação.

As quartas e sextas-feiras, era evitado todo tipo de carne na alimentação. Na sexta-feira santa, era servido no café da manhã, apenas um cafezinho com uma fatia de pão sem manteiga, pois o leite também não podia. Era jejum absoluto até á hora do almoço, onde o prato principal seria peixe. Como éramos crianças, sempre dávamos um jeito de burlar as regras dos nossos pais, que acabavam fazendo vista grossa, mas com aquele olhar de reprovação.

O tempo passou, já não temos mais a vovó com sua sabedoria e paciência. Não sei se ainda fazem via sacra nas igrejas e nem se os netos acompanham as vovós. Hoje casados, cada um segue sua própria crença, da forma que acha mais conveniente. Quanto aos filhos, nem sempre tem a avó por perto, como antigamente. Sem falar que atualmente, a distração das crianças é o telefone celular, o tablet, o vídeogame e outros aparatos digitais.

Tantos ensinamentos que foram passados de geração em geração e que agora não se repassa mais para os filhos, talvez por achar desnecessário e sem nenhum valor didático. O que está acontecendo com os seres humanos?

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