
Em referencia ao Dia de Zumbi e da Consciência Negra, o Instituto do Negro de Assis Zimbauê promoveu um evento realizado no Galpão Cultural. O evento marcou a abertura da Exposição Fotográfica “Alforria. O Negro no Trabalho”, promovida em parceria com o curso de Fotografia da Fundação Educacional do Município de Assis – Fema.

A Exposição, que conta com cerca de 70 fotos, está aberta à visitação até o dia 06 de dezembro, de sexta-feira a domingo, das 16h às 20h. Segundo a professora da Fema, Maria Carmem Portilho Santos Brito, a ideia da Exposição e a parceria surgiram logo no início do ano e demandou um amplo trabalho fotográfico e de pesquisa dos alunos do curso de Fotografia da Fema.
“A ideia da exposição surgiu lá no início do ano, quando o professor Paulo Miguel e a Mônica conversaram sobre este trabalho que foi desenvolvido na disciplina que eu ministro, que é Fotografia de Retrato. O trabalho foi muito bacana, solicitamos que eles fizessem retratos de negros em situação de trabalho, com o objetivo de identificar e mostrar o negro em Assis e na nossa região no mercado de trabalho. Além do trabalho fotográfico em si tivemos como objetivo promover uma reflexão. Temos presente na exposição alguns objetos que remetem ao período da escravidão, e em contraponto, temos as imagens de pessoas em condições de trabalho nos dias atuais”.
A Professora ainda explicou que, a exposição conta com cerca de 70 fotos e que cada aluno foi convidado a participar com um conjunto de três fotos.

Segundo a presidente do Zimbauê, Mônica da Silva, a exposição em parceria com a Fema marca não só as comemorações ao Dia de Zumbi, mas aos 10 anos do Instituto do Negro de Assis, comemorado neste ano.
“A ideia da Exposição surgiu durante conversa com os coordenadores do curso de Fotografia da Fema, os professores Paulo Miguel e João Henrique, no sentido de comemorar o Dia da Consciência Negra e os 10 anos do Instituto. A professora Maria Carmem e os alunos também compraram a ideia e o resultado é esta Exposição maravilhosa, que marca também nossas comemorações ao 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra”.
A Presidente do Instituto ainda falou sobre a importância do Dia de Zumbi e do trabalho do Zimbauê em Assis.
“Sempre falamos que o 13 de maio não representa nada para nós, pois a história fala que os escravos foram libertados pela Princesa Isabel, o que para nós é uma grande mentira. E neste sentido, o movimento do Negro trabalha há mais de 10 anos a data de 20 de Novembro. Não que não façamos atividades do dia 13 de Maio, claro que fazemos, mas nossa referencia é Zumbi de Palmares, nosso grande herói negro, e penso que, quando Zumbi for reconhecido como um herói nacional, ai sim teremos caminhado bastante. Por hora, o que vemos ainda é que ele é considerado um herói da causa negra. Exemplo disso é que apenas em alguns municípios a data é feriado, e em outros apenas ponto facultativo. Em Assis, o Zimbauê tem pautado por atividades culturais, pautado em questões da visibilidade da cultura negra, em respeito a todas as culturas. O Instituto do Negro não vem para descriminar, muito pelo contrário, assim como temos a comunidade alemã, a nipônica, o Zimbauê é a mesma coisa, estamos aqui para preservar a cultura do negro, que a vida toda foi descriminada. Se tocamos tambor, o tambor foi cortado, se falamos de religiões de matrizes africanas fomos cortados, a nossa capoeira também não podia, tudo sempre foi tratado com descriminação e repressão e é contra isso que nós lutamos e foi contra isso que Zumbi dos Palmares morreu, assassinado no dia 20 de Novembro, há mais de 300 anos. E nós estamos aqui hoje, com o mesmos ideários de Zumbi. A luta continua!”

Ela ainda frisou que, a Fema sempre foi parceria do Zimbauê e em outras oportunidades já realizou ações em parceria com o Instituto. O que segundo ela é muito representativo, visto que a discussão e reflexão do tema dentro de uma instituição de ensino superior é muito importante principalmente considerando que, a transformação de uma sociedade somente poda se dar por meio da educação. Segundo ela, a Fema tem proporcionado esta abertura e apoiado o trabalho do Zimbauê em Assis.
Para os alunos do primeiro ano do curso de Fotografia, a experiência de produzir um trabalho fotográfico sobre um tema tão importante promoveu muitos conhecimentos técnicos e também reflexões pessoais.
Um dos alunos que participam da Exposição é Toni Osvaldo Braga. Segundo ele, o tema promoveu reflexões sobre a situação do negro no país e no trabalho, assuntos importantes e que no dia-dia nem sempre tem o destaque que merecem. Toni ainda contou que, os alunos fizeram uma séria de cinco fotos, das quais três foram selecionadas para a exposição. Ele ainda falou que a exposição oportunizou espaço para que eles aplicassem os conhecimentos adquiridos durante o primeiro ano do curso, como composição, luz, equipamento.
Adailton Silva é outro aluno da Fema com trabalhos na Exposição. Ele contou que a atividade foi muito gratificante, já que para as fotos ele convidou um amigo.
“Pra mim foi muito gratificante fazer este trabalho porque a pessoa que eu escolhi para fotografar, além de meu amigo é um grande trabalhador. E isso foi importante, pois retratei uma pessoa de bem, trabalhadora e que atua com animais, que é outra coisa que eu gosto. Ele também ficou muito elogiado de ser retratado. O tema da exposição foi muito bom e eu e os colegas de curso ficamos entusiasmados com a Exposição, que está muito bonita e que deve agradar o público que comparecer no Galpão Cultural”.
A abertura da Exposição “Alforria” contou com a presença de membros e amigos do Zimbauê, alunos do curso de Fotografia, professores da Fema e do presidente do Conselho Curador da Fundação, Dr. Ulysses Telles Guariba Netto.
A Exposição Fotográfica “Alforria. O Negro no Trabalho” fica no Galpão Cultural até o dia 06 de dezembro. A visitação acontece de sexta-feira a domingo, das 16h às 20h. O Galpão Cultural está localizado na Travessa Sorocabana, 40 – próximo a Honda, no centro de Assis.
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