
Um acidente de trânsito em Assis (SP) ocorrido há quase dois meses e que terminou com a morte de uma mulher sofreu uma reviravolta nesta segunda-feira (17). O Ministério Público mudou a acusação inicial, de um crime culposo (acidente de trânsito) para um caso de feminicídio.
No dia 9 de junho, Lisley Nogueira, de 22 anos, uma das quatro mulheres que estavam em um carro dirigido por Gilmar da Silva, de 39 anos, morreu após um grave acidente nas ruas de Assis. O motorista estava embriagado, segundo exames médicos, e foi preso em flagrante – ele teve ferimentos leves.
Outras três ocupantes do veículo ficaram feridas e logo receberam alta. Câmeras de segurança do comércio local registraram que o carro estava em alta velocidade antes de bater em um poste e depois contra o muro de açougue.

A investigação do Ministério Público apontou que Gilmar quis bater o carro intencionalmente. Para o promotor Luís Fernando Rocha o caso sugere ainda uma qualificação como feminicídio, termo usado para crime de ódio baseado no gênero e que define alguns casos de assassinato de mulheres.
“Pelo relato das vítimas sobreviventes, ele [Gilmar] queria se relacionar com elas e, diante da negativa, saiu com o carro fazendo manobras perigosas, em alta velocidade. Segundo o inquérito policial, ele teria dito que ninguém sairia do carro com vida. Para o MP, isso demonstra que ele tinha a intenção de matar. Além disso, ele subestimou a condição de mulher da vítima, porque exigia uma relação não consentida”, explicou o promotor.
A Justiça de Assis aceitou a denúncia do MP na íntegra e Gilmar se tornou réu. Ele é acusado por três tentativas de homicídio doloso (contra as sobreviventes) e homicídio doloso, pela morte de Lisley. Segundo a acusação, o crime teria ocorrido por motivo torpe, sem dar chance de defesa às vítimas e por colocar em risco a vida de outras pessoas.
Para o advogado de defesa de Gilmar, seu cliente não teve intenção de provocar o acidente e, por isso, mantém sua tese de que o caso deve ser tratado como um crime culposo, ocasionado por um acidente de trânsito. Gilmar da Silva continua preso preventivamente.
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