
O Centro de Atenção Psicossocial de Assis (SP) implantou há dez anos a música como oficina terapêutica para pacientes, a maioria com quadros de esquizofrenia. O projeto deu tão certo que uma banda foi formada pelos pacientes e estagiários do centro e hoje mais que um tratamento, a música é o talento desses verdadeiros artistas.
“A convivência em espaço público, através do resgate da cidadania que eles passam a viver com essas experiências, faz com que eles se tornem um de nós, como qualquer pessoa e isso é muito gratificante. Nós já tivemos pessoas que se apresentavam como paciente do Caps e agora se apresentam como músico do “Loko na Boa” “, ressalta a psicóloga do Caps, Cristina Vendramel.
O nome do grupo “Loko na boa” foi escolhido pelos próprios integrantes, que gostam de brincar com a própria condição. Aliás, brincar com a própria condição faz parte da maioria das letras da principal compositora, Célia Regina, que também escreve livros de poesia. “Quando saímos do Caps para sociedade encontramos, na verdade, pessoas que não recebem bem o usuário mental. Então, por meio da banda, eu mudei a minha vida, porque com a música eu posso falar o que eu sinto e as pessoas tem a oportunidade de me ver de uma outra maneira”, ressalta.

(Foto: reprodução/TV Tem)
E o trabalho da banda se destacou que não coube mais entre as paredes do Centro de Atenção Psicossocial e ganhou o território nacional, onde se apresentaram em várias capitais pelo país, e também internacional, com os shows realizados na Argentina. Além das músicas já registradas e divulgadas em CD.
Durante as apresentações ou os ensaios da banda, o estagiário Daniel Barbosa Salvador deixa de ser o estudante de psicologia e o Wilson deixa de ser um paciente para ambos se tornarem músicos e artistas. “Nós somos o centro das atenções, estamos com todos os refletores voltados para nós, com o microfone para que as pessoas possam nos ouvir, é um espaço que nós temos para mostrar para pessoas quem somos, mostrar que somos pessoas como qualquer outras”, destaca Daniel.
Para esses homens e mulheres, a música é a melhor forma de combater o preconceito. E para quem acha que chamá-los de loucos pode ser uma ofensa, a Cristina dá o recado com o trecho de uma das letras da banda. “É melhor ser um louco na boa do que um normal asfixiado diz tudo, não é?!”, ressalta a psicóloga.

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