‘O erro foi o tiro acidental’, diz comando da PM da morte de jovem

Polícia Militar falou sobre pontos controversos da abordagem em Ourinhos.
Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito e aguarda a arma para perícia.

Vídeo mostra a ação dos policiais que resultou na morte do jovem (Foto: Reprodução / Canal Youtube AssisNews)
Vídeo mostra a ação dos policiais que resultou na morte do jovem (Foto: Reprodução / Canal Youtube AssisNews)

O comando da Polícia Militar de Ourinhos (SP) respondeu aos questionamentos sobre pontos controversos da abordagem policial que terminou com a morte de um jovem de 22 anos no último dia 9 de junho. O policial que fez o disparo chegou a ser preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas foi liberado até o final das investigações.

A defesa dele alega que o tiro foi acidental, no entanto, o inquérito da Polícia Civil, que ainda não foi concluído, aponta que ele assumiu o risco de matar ao abordar Bryan Bueno, que estava dentro de um carro, com a arma em punho e pediu a prisão temporária dele, que foi negada pela Justiça. Imagens da abordagem foram registradas pelo circuito de segurança de uma oficina mecânica que fica próxima, as câmeras registraram toda a abordagem desde que o carro foi parado até o jovem ser levado pelo Samu. Bryan levou um tiro no pescoço e morreu antes de chegar ao hospital.

Comandante esclareceu pontos controversos da investigação  (Foto: Reprodução / TV TEM)
Comandante esclareceu pontos controversos da
investigação (Foto: Reprodução / TV TEM)

A tenente coronel Cenise Araújo Calanans reforçou o defesa do policial de que o tiro foi acidental e que esse foi o único erro na abordagem. “O policial com o armamento é a abordagem policial correta, é o que preconiza os procedimentos da Polícia Militar, no entanto, com o cano da arma apontado para baixo. O que deu errado na abordagem é o que o policial nos declarou na data dos fatos, de que o recuo do corpo dele em virtude de alguma reação da vítima durante a abordagem, quando eles pediam para que eles saíssem do carro para revista, teria propiciado para que o cano do armamento ficasse virado para cima e por algum motivo a arma disparou atingindo a vítima”, afirma.

No entanto, uma equipe do Samu registrou um boletim de ocorrência e alega que foi ameaçada pelos policiais para socorrer o jovem. Esse fato foi anexado ao inquérito policial e também é apurado pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, o Condepe. Mas, a comandante da PM nega esse fato. “Não houve quaisquer ameaça a esses socorristas, esses médicos e enfermeiros, o que houve foi um pedido de socorro diante daquela vitima que sangrava muito.”

Sobre a arma que ainda não foi entregue para uma perícia mais detalhada, a comandante informou que a perícia foi feita no dia do acontecido, assim como o carro, que só foi lavado após os peritos liberarem o veículo. “O veículo estava bastante ensanguentado, então eu determinei que ele fosse lavado para que os jovens pudessem ir embora com o mínimo de conforto, mas quero deixar claro que só fiz isso após o veículo ser devidamente liberado pela perícia. Já o armamento assim que recebemos enviamos para a perícia local”, completa.

Vítima de 22 anos foi baleada durante abordagem policial (Foto: Facebook/Reprodução)
Vítima de 22 anos foi baleada durante abordagem policial (Foto: Facebook/Reprodução)

As investigações apontam ainda que uma suposta tentativa dos policiais de alterar as imagens. No entanto, a tenente coronel afirma que a PM apenas pediu uma cópia das imagens ao dono da oficina. “O que eu acredito que está causando essa dúvida se nós apagamos ou não apagamos seja a incapacidade técnica de outras pessoas de extraírem esse material do equipamento, mas não apagamos nada, as imagens estão lá.”

A Polícia Civil confirmou que o carro e a arma passaram pela perícia e que o laudo está no inquérito. O delegado responsável pelo caso disse ainda que pediu a arma para fazer uma perícia mais detalhada.

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