Polícia Civil conclui inquérito da morte de jovem em abordagem da PM

Vítima de 22 anos foi baleada durante abordagem policial (Foto: Facebook/Reprodução)
Vítima de 22 anos foi baleada durante abordagem policial (Foto: Facebook/Reprodução)

A Polícia Civil concluiu nesta quinta-feira (7) o inquérito sobre a morte de um jovem em Ourinhos (SP) durante a abordagem policial no último dia 9 de junho. O policial militar Luís Paulo Isidoro foi indiciado por homicídio doloso qualificado, pois, de acordo com inquérito, ele assumiu o risco de matar ao abordar o jovem com arma em punho e apontada para a vítima, informou a polícial.

Ainda segundo a Polícia Civil, o inquérito foi enviado ao Ministério Público que deve aceitar ou não a decisão e denunciar à Justiça.

Bryan Bueno, de 22 anos, foi morto com um tiro no pescoço dentro do carro em que estava e que foi parado na abordagem policial na saída de uma feira de exposições. O soldado chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado e realiza trabalhos internos na Polícia Militar.

Em nota, a PM informou que mantém a posição de homicídio culposo, sem intenção de matar, pois em nenhum momento houve a intenção policial em cometer aquele ato. Ainda segundo a nota, também não foi o caso de assumir o risco, pois deveria haver dolo em sua ação, mas não houve, foi uma fatalidade. A PM considera  como uma posição totalmente equivocada esse indiciamento da Polícia Civil.

O policial que atirou e matou o jovem prestou depoimento à Polícia Civil na terça-feira (5). Luís Paulo não quis dar entrevista ao sair do depoimento, mas segundo o advogado dele, Osny Bueno de Camargo, o disparo foi acidental e provocado por um defeito na arma. “A versão única e exclusiva e que é a verdade. A arma disparou acidentalmente. Essa arma tem apresentado no Brasil inúmeros defeitos”, explica Osny.

Policial prestou depoimento na Polícia Civil nesta terça-feira (Foto: Reprodução / TV TEM)
Policial prestou depoimento na Polícia Civil nesta
terça-feira (Foto: Reprodução / TV TEM)

O advogado afirmou também que a abordagem foi feita obedecendo às normas de conduta da Polícia Militar. “Operação padrão de quem não respeita a ordem que foi dada, que era para descer do carro. Eles desobedeceram e é assim que o policial tem que abordar, armado. É para isso que existe a polícia.”

De acordo com o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condeph) que teve acesso ao interrogatório, o policial disse ao delegado que a arma estava em posição sul, ou seja, apontada para baixo e o dedo não estava no gatilho, no entanto, a arma disparou. Ainda segundo o órgão, o policial disse também que os jovens desobedeceram a ordem de sair do carro.

Para Polícia Civil, além de assumir o risco de matar pela forma como foi feita a abordagem, o policial também colocou em risco a vida das outras pessoas que estavam no veículo e não dando a chance de defesa de Bryan.

Investigação
Segundo a Polícia Civil, ações da PM, como a tentativa de apagar o vídeo da abordagem, a lavagem do carro das vítimas e demora na entrega da arma, dificultaram as investigações. O comando da PM rebateu essas alegações.

“O veículo estava bastante ensanguentado, então eu determinei que ele fosse lavado para que os jovens pudessem ir embora com o mínimo de conforto. Mas quero deixar claro que só fiz isso após o veículo ser devidamente liberado pela perícia. Já o armamento assim que recebemos enviamos para a perícia local. O que eu acredito que está causando essa dúvida se nós apagamos ou não apagamos [as imagens] seja a incapacidade técnica de outras pessoas de extraírem esse material do equipamento, mas não apagamos nada, as imagens estão lá”, esclareceu a tenente coronel da PM, Cenise Araújo Calanans.[su_youtube url=”https://www.youtube.com/watch?v=XrKrjiPniYQ” width=”700″]

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