Com dor dupla no adeus: Usain Bolt sente lesão e fica sem medalha no 4x100m

© A chegada apertada reservou alguns segundos de suspense até o telão fazer o público explodir em vivas. Por um instante a lesão de Bolt foi esquecida. O ouro surpreendentemente era da Grã-Bretanha com direito a liderança do ranking mundial. Os Estados Unidos ficariam com a prata, e o Japão com o bronze. A Bolt, caberia um lugar eterno no coração dos fãs.

Usain Bolt sente lesão e fica sem medalha no 4x100m

Um sonho era por um final com brilho dourado. Não deu. Uma lesão na reta tirou Usain Bolt do rumo e impediu que a despedida do maior nome da história das provas de velocidade fosse com uma medalha no peito. Com o espírito de menino feliz que sempre apresentou nas pistas, ele fez graça na tragédia. Deu uma cambalhota e arrancou sorrisos do público antes de fechar a cara pela dor na coxa. Nas arquibancadas, os gritos de incredulidade pelo infortúnio do astro deram rapidamente lugar ao êxtase. Em Londres, em casa, Grã-Bretanha era a nova campeã mundial do revezamento 4x100m masculino.

Com a eliminação no 4x100m, Bolt deixa Londres com uma medalha – ele foi bronze nos 100m, atrás de Justin Gatlin e do também americano Christian Coleman. Em Mundiais, a história do Raio tem 14 pódios, tendo subido no lugar mais alto 11 vezes. Foi na edição de Berlim, na estreia na prova mais nobre do atletismo neste evento, que selou o ainda vigente recorde mundial da distância, 9s58. Em Olimpíadas são oito ouros, incluindo um pioneiro tricampeonato nos 100m e 200m.

Após o revés na última prova individual da carreira, Bolt evitou lamentar-se e preferiu agradecer ao incrível carinho do público, que fez festa para o jamaicano e só não ignorou o feito de Gatlin porque o vaiou todas as vezes que foi possível. Para o revezamento, o Raio precisou adaptar-se à nova realidade de seu país.

Com uma transição de gerações encaminhada, disputou as eliminatórias da prova pela primeira vez na vida e teve como companheiros três jovens que nunca haviam corrido num grande palco. Os meninos seguraram bem a pressão, e o Raio garantiu a vitória na bateria e o terceiro tempo no geral, atrás de EUA e Grã-Bretanha.

Para a disputa por medalhas, a Jamaica ganhou o importante reforço de Yohan Blake, poupado na 1ª fase, e de Omar McLeod, campeão olímpico e mundial dos 110m com barreiras. No caminho para a pista, Bolt andou sorrindo. Brincou com um voluntário como se fosse um pugilista, depois cutucou a mascote Hero. A apresentação da equipe caribenha teve direito a dancinha. Quando o quarteto americano entrou, o público vaiou Gatlin.

Tudo corria bem até a passagem de bastão de Blake para Bolt. O Raio recebeu na terceira posição, com margem suficiente para arrancar e levar a sonhada medalha. Mas, no meio do caminho, travou. Tentou forçar, mas começou a mancar e levou à mão na coxa, reação automática de quem sentiu uma fisgada muscular. Enquanto os rivais o ultrapassaram, um a um, Bolt achou que cabia dar uma cambalhota e fazer piada com seu azar.

A chegada apertada reservou alguns segundos de suspense até o telão fazer o público explodir em vivas. Por um instante a lesão de Bolt foi esquecida. O ouro surpreendentemente era da Grã-Bretanha com direito a liderança do ranking mundial. Os Estados Unidos ficariam com a prata, e o Japão com o bronze. A Bolt, caberia um lugar eterno no coração dos fãs.

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